domingo, 15 de junho de 2008

Reforma da Língua Portuguesa: Maquiagem definitiva?


Há uma nova reforma da Língua Portuguesa em voga, prevista pra iniciar-se em 2009. Diferente da reforma de 71 que mudou as palavras da Língua Portuguesa brasileira, esta nova faz parte de um acordo firmado em 90, entre os oito países falantes da língua.

Essa reforma não pretende ser drástica, como dizem alguns educadores, porque atinge apensas 2% de palavras de 228.000 verbetes da língua. Para Enilde Faulstich, professora da UnB de história da língua portuguesa, "essa reforma é uma minilipo no português, para deixá-lo um pouco mais magro"

Embora essa reforma seja bem quista por alguns, eu acredito que será um problema para os alunos que terão que se adaptar, e problema também para nós, futuros professores de língua portuguesa, que não aprenderemos sobre essa reforma na universidade. Segundo alguns lingüístas, nós demoraremos pelo menos dez anos para nos adaptarmos às novas regras. Haverá, então, certa divergência, posto que os que começam agora a aprender a língua, logo se adaptarão.

O que acontecerá são alterações na ortografia: os hífens de algumas palavras deixarão de existir, e serão acrescentados em outras. Além disso, a trema (coisa que há muito não usávamos) vai deiar de exisitir em algumas palavras. Muda-se também as consoantes dobradas como rr e ss, em outras palavras. Prevê-se que em palavras como lingüiça, ao perder a trema, passe a ser dita com o som de "gui" como em guilhotina ou guia. A língua falada mudará também.

Essa decisão veio do MEC, e os professores não foram questionados à respeito da mudança. Essa verticalização da educação, ou seja, onde o órgão que tem o maior poder manda e todos obedecem, faz muito mal a todos. Somos reféns desse sistema de ensino, onde somos obrigados a ouvir e repetir. Essa reforma não valerá muita coisa, porque o que está errado é a necessidade que o aluno tem de decorar as regras. As leis gramaticais deveriam ser mudadas, em amplo sentido. O maior problema está no emprego das letras, e não na acentuação.

Portugal ainda está resistente às mudanças. Para o país, a mudança da grafia afetará cerca de 1,6% da língua. Eles querem manter a tradição.

Mudar a língua é sim necessário, mas uma mudança que facilite o aprendizado da língua.