sábado, 26 de abril de 2008

Nada Como Ser Pessimista.

Hoje estou aqui, passando por mais uma madrugada difícil. Normal. Me sinto extremamente egoísta, achando todos hipócritas, que tudo está errado e etc. Ah, até aí tudo bem, nada de surpreendente. Quero primeiro varrer minha calçada pra depois, se quer, olhar para a calçada do vizinho.
No final eu não terei motivos para me incomodar. Quero ser bem sucedido e não ter com o que me incomodar. Caso eu seja mal sucedido nos meus planos, ou uma ou outra; fico doente ou conservo a saúde. Se eu conservar a saúde, não terei motivos para me incomodar. Se eu ficar doente, ou uma ou outra; curo ou morro. Se eu curar, não tenho motivos para me incomodar. Se eu morrer, ou uma ou outra; céu ou inferno. Se for pro céu (o que é difícil) não tenho motivos para me incomodar. Se eu for pro inferno, eu terei de cumprimentar tantos conhecidos que não terei nem tempo para me incomodar.
No jornal as pessoas que amei vão ver: "faleceu um homem auto-suficiente. Não precisava dos outros. Era triste e feliz sozinho. Tinha respostas para tudo. Tinha... até ontem quando percebeu que as respostas que tinha eram para perguntas que não faziam o menor sentido. Logo, ele não sabia de nada e se foi...". Enquanto esse dia não chega, acho que tenho muito o que dizer, muito o que protestar. Afinal, até o cachorro late diante do perigo e da injustiça! E eu?!
Às vezes penso por qual motivo eu não falo da beleza da rosa, e sim, da fome e solidão de quem planta essa rosa. Sei lá, essa metáfora serve para a vida como para o amor. Nada como ser pessimista e se preparar sempre para o pior. Assim, prefiro evitar o pequeno espaço de tempo em que espero a ilusão e a decepção se encontrarem.