quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Relações Comportamentais

E aqui estamos, todos vestidos complexos e armados
Não que tudo isso seja fora do comum, mas estamos todos acostumados a ser "normais".
Bem, encaramos coisas ao nosso redor como normais, e aquilo que está fora e aparece
meio que de "relâmpago" é algo incomum.
Hoje em dia é fácil você chegar e apontar na cara da pessoa e dizer todos os defeitos dela, embora
não o faça para evitar confusão. Então o jeito mais fácil é você apenas fingir que não está vendo
esses defeitos e acaba no entanto "falsificando" as qualidades e esses defeitos é claro.
Pense comigo, quem é o chato mais próximo de você? e o mais fofoqueiro? o mais bonito? o mais implicante? o mais legal? o mais falso? o mais idiota? o mais burro? o mais inteligente?
Se você não for egocêntrico provavelmente deve ter dado todas essas características a alguém que conheça, embora nem sempre cabe, mas nós temos o costume de fazer isso.
As pessoas preferem se preocupar com a vida alheia do que da própria vida, é claro que há excessões, mas com certeza elas estiverão curiosas ou ansiosas por alguma fofoca alheia.
É difícil perceber que nada disso importa, e que tudo isso é apenas mais uma das manias ridículas do ser humano, porque é fácil apontar os erros e defeitos dos outros, mas é difícil perceber a si própio.
Mas nem adianta fazer esforço, poucos conseguem se "acertar", se "entender" e se "consertar".
É importante você saber com quem anda, mas a partir do momento em que certas qualificações colocadas por você for de sumo preconceito, homofóbico e/ou racista eu faço questão de ser a primeira a levantar o dedo e colocar na sua cara gritando todas as palavras: SEU BABACA!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

rouge à lèvres


Adentrou sua sala com um lúgubre sorriso estampado na cara. Parou, ainda meio tonta e esperou que a sala também parasse. Gargalhou sem emitir som e revirou os olhos. Seu corpo caiu no sofá e suas pernas se abriram... certificou-se que não havia ninguém na casa e gargalhou de novo - desta vez emitindo pequenos sons agudos e intermitentes. Livrou-se dos sapatos altos.
Parou cerca de vinte segundos e permitiu que seu semblante não demonstrasse expressão alguma. Nesse período olhou para o lustre. Sua boca entreabriu-se, revelando seus dente sujos de batom.
Na parede vira a cara de um demônio, com os olhos duros lhe olhava. No chão, figuras do próprio paraíso... Sentia-se como um cão sarnento rolando num edredon branco. Sentia-se culpada. Alisou a face da besta e continuou andando. Sem razão começou a correr no imenso corredor, iluminado apenas pelos jatos de luz da lua que as finas cortinas brancas das janelas abertas ao seu lado direito deixavam vazar. Olhou através de uma delas e viu sua sombra, do lado de fora acompanhando-a. Sentiu-se estremecer quando notou que à sua esquerda faltava-lhe o contorno do próprio corpo. Aproximou-se da janela e sentiu a brisa fria da noite no rosto. Colocou as mãos, com seus dedos delgados um pouco acima da testa, tentando bloquear o claridade e cerrou um pouco os olhos para tentar ver com mais nitidez. Tudo em vão. A luz atravessava seu corpo... Porém conseguiu ver seu contorno ainda correndo na grama, úmida. A sombra do vestido balançando ao vento... tudo parecia mover-se em câmera lenta. Olhou além, para todos os lados e apenas viu a linha infinita do horizonte em um campo verdíssimo iluminado pelo clarão assombroso da noite. Sua sombra agora encontrara uma outra. Ao som da melodia do vento contornando suas orelhas viu-se dançar com um desconhecido. Parecia valsa. A sombra rodopiou e foi cumprimentada inúmeras vezes pelo contorno de um perfeito cavalheiro. Apoiada na janela, percebeu suas pernas cederem. Seus pés descalços sentiram o chão esquentar, gradativamente. Olhou entre seus pés e viu sangue. Emitiu um som inaudível por si mesma e voltou o olhar para o campo. Nada mais havia senão um homem em pé, olhando-a fixamente nos olhos. A respiração ficou ofegante e tentou largar-se da janela. Tropeçou no próprio vestido e caiu... lentamente viu-se ainda tentando agarra-se à cortina. Seu corpo, girou pela força do braço preso ao tecido e ela pode ver em pé, na janela o homem que a fitava do campo. Suas costas bruscamente tocaram o chão, permitindo que o ar saísse, junto a um grito de horror nunca antes ouvido.
Uma lágrima caiu de sua face. Seus dentes estavam secos. Apenas o batom brilhava. Sentou-se no sofá e levou o rosto às mãos, junto aos joelhos. Um suave toque acariciava suas costas. receiosa, tentou ver quem era. O próprio diabo a consolava.
Engoliu as lágrimas, levantou-se e caminhou decididamente à janela da sala. No meio do caminho, sem notar, chutou os sapatos e pisou numa taça, ferindo seu cândido pé.
A noite já não parecia tão encantadora. Não havia lua, nem estrelas. Apenas as janelas dos outros prédios brilhavam. Nesse momento seu mundo se ensurdeceu. Parou em frente à sacada e olhou para baixo. Nada viu. Engolindo seco, debruçou-se no parapeito e vomitou sua vida.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Big Brother e Febre Amarela


Terça-feira é dia de eliminação no Big Brother Brasil. O público vota nos que lhe agrada menos, eliminando-os, e impedindo que disputem o prêmio de 1 milhão de reais. O público julga os defeitos dos participantes, os atos que não condizem com a convivência em grupo, os bons e os maus, os bonitos e os feios (por quê não?). Voltamos à velha inquisição, mas dessa vez, televisionada: de um lado, estereótipos: pessoas aparentemente comuns, com erros e problemas comuns. De outro, o telespectador: aquele quem decide o que podem ou não fazer para que continuem na casa, segundo seus preceitos. A casa, é só um cenário de brinquedo, que diminui a realidade daqui de fora.
Os participantes fazem na casa, o que fazemos aqui fora, com uma diferença: são vigiados o tempo todo, e não podem deixar de serem vistos. (Há quem diga, que os participantes são farsantes e estão lá fazendo papel que os diretores do programa exigem. Ou seja, são manipulados para caírem no gosto popular ou não. Mas não vou entrar nesse assunto: não me envolvo com questões conspiratórias.). Quando não gostar dos seus atos, como por exemplo, quando falam mal uns dos outros, pelas costas, basta votar para expulsá-los. Mas não falamos mal deles também? Quando tentam se vingar, colocando outros participantes à votação, os achamos maus. Mas não somos vingativos também? Puritanos não assistem esse programa.O Big Brother é um horrorshow onde os participantes são espelhos. No fundo, não passam do reflexo de quem os assiste. Por sorte, podemos julgá-los sem precisarmos aparecer na TV.
Falando em TV, o Big Brother deveria entrar para o PAC, do Lula. O programa movimenta mais de 30 milhões em um dia de votação acirrada. Além disso, mantêm outros programas de outras emissoras, e é um dos programas de maior audiência, no mundo inteiro. Os anúncios, durante os intervalos de Terça e Quinta, são caríssimos (talvez os mais caros da TV brasileira). Isso a gente não julga. Na verdade, até pensamos em comprar um carro novo, daquele potente totalflex. (não julgamos, talvez, porque esses carros não cabem na fogueira benta.)
Ah, sim! E quanto a febre amarela: vacinem-se, porque essa febre, não é como a do Big Brother: ela pode levar a morte, e não é tão passageira.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

A Igreja.

Bom, não tenho o português mais correto e nem sei filosofar. Cá estou, pronto para usar o espaço que amigos me deram. Talvez o que vocês vão ler não seja do agrado de todos, mas é o que penso. Esses dias estava conversando com meu avô sobre crenças e religiões, e então aprendi algumas coisas que me fizeram duvidar da existência de Deus e Jesus. A Igreja começou vendendo fé, aliás, ainda vende, mas mais discretamente (a católica, pelo menos). A partir disso já começamos a falar de uma empresa, empresa essa que se aproveita da suposta fé das pessoas.
Partindo do princípio que uma empresa se aproveita de seus "clientes" de tal forma, já começo a olhar com outros olhos isso. Eu sempre fui de agradecer a Deus toda noite antes de dormir, mas também era de pedir coisas boas. E isso não adiantava nada. Minha vida se desregulou um pouco de uns meses pra cá que acabo dormindo de dia, então com o sono que eu tinha nem agradecia, nem orava, nem nada. Não alterou nada, muito pelo contrário, minha vida começou a melhorar mesmo eu não agradecendo ao "Senhor".
Conversando com meu avô, que por sinal é Ateu, acabei aprendendo coisas sobre a história, e nessas ele me explica sobre a Bíblia. Na cabeça da maioria das pessoas a Bíblia é a única coisa que pode "provar" a existência de Jesus e seus apóstolos, mas não é. A Bíblia foi escrita uns 400/500 anos D.C. sem provas contretas, ela foi escrita no intuito de mostrar pras pessoas o que a Igreja pensa. Mais ou menos como se fosse a Globo fazendo um jornal sensacionalista em seu benefício, sem contar com a verdade, e sim com aquilo que realmente a interessa. Digamos que Moisés foi um colunista, e por aí vai. Enfim, sem prova de nada, como podemos acreditar no que essa empresa diz?
Vejamos na televisão, pastores de Igrejas protestantes vendendo explicitamente a "benção" de Jesus. E a maioria da população é carente, logo, deixam-se levar pela conversa da Igreja, seja qual for ela, católica, protestante, umbanda e essas outras. A tendência é aumentar o número de Igrejas, o número de clientes. Isso não vai acabar nunca. Tenho tudo contra a Igreja, porém respeito o estilo de vida de cada um. Durma tranquilo, agradecendo ou não a seu suposto Deus.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Nostalgia e sentidos


E mais uma vez me peguei pensando em coisas que não me fazem bem. A tal da nostalgia. Porém resolvi levar essa viagem um pouco além, antes de expulsá-la da minha cabeça. Digeri o pensamento porque minha mente abordou-o de forma diferente. Nunca havia pensado no quanto nossos sentidos nos remetem ao passado (claro que já recordei de muitas coisas ouvindo músicas, mas percebi que isso vai tão além...)

E por mais incrível que pareça, nossos sentidos, nessa ocasião parecem estar intimamente ligados, como uma fila de dominós posta em pé, ou como uma grande máquina fabril com todas suas peças interligadas. Semana passada mostrei um vídeo para o Luan que talvez tenha dado origem a essa pequena reflexão. Quem viveu sua pré-adolescência até 2000/01, talvez se lembre disso.

Assistindo esse vídeo, me utilizei dos olhos e ouvidos. Porém algo ativou minha memória olfativa e recordei-me até do perfume que eu usava para ir à escola e o cheiro do próprio uniforme! Isso foi incrível... montei uma lembrança perfeita, com sons, cores e perfumes.

E existem casos clássicos dessa interligação dos sentidos. Quem nunca sentiu o cheiro de algum tipo de comida e lembrou do sabor? E o que nos faz relembrar nossa infância ao pegarmos um bastão de massa de modelar se não a nossa memória sensorial? - e nesse caso, em particular, o paladar e o olfato se sobressaem.

Seria eu um bobo se acreditasse que o que acabei de escrever é novidade. Não é. Mas muita gente talvez ainda não tenha parado pra pensar nisso.

Talvez eu volte a escrever sobre saudades, é um tema muito interessante e vasto. Mas por hoje basta.

E pra quem viveu sua infância nos anos 90...

Abraços.

"Ócio do Ofício"

Já ouviste falar na expressão "ócio do ofício"? Não? Pois bem, essa expressão é usada, em um de seus significados, pra designar o ócio que um trabalho repetitivo gera em nossa mente. É a hora em que há um esvaziamento de nossas cabeças a ponto de nos fazer refletir profundamente, e com grande atenção, a assuntos que geralmente nem pensamos em nos preocupar.

Fato é que hoje, e vejam só, tomando um banho, gerei um ócio que me fez pensar sobre falta que esse ócio faz. E mais, sobre se ter um trabalho desses repetitivos, entediantes, forçados, é realmente algo ruim. A conclusão que cheguei é simples: Vivemos em tempos de uma evolução assustadora da tecnologia e de um estágio cada vez mais avançado da globalização, com meios de comunicação cada vez mais eficientes, com meios de alienação cada vez mais eficazes, com meios de controle populacional cada vez mais precisos; que qualquer momento de ócio nos faz ir longe. É como se de repente nos desligássemos de uma realidade e nos planássemos em outra. Mas o ócio do ofício não precisa necessariamente vir, e isso é importante, de um trabalho forçado, a contra-gosto. Podemos praticar exercícios físicos, por exemplo; podemos praticar natação!

Eu cito natação porque particularmente tenho um apego especial a esse esporte. A água da piscina isola nossos ouvios, literalmente submergimos a um outro plano, estamos só entre nós mesmos e a água. Depois de um tempo de experiência e prática com a natação, passamos a nadar por horas sem parar, e nem percebemos. Acontece que o exercício de nadar gera um ócio tão perfeito que o tempo, como diria Einstein, se torna mesmo relativo. Nadamos o nada, e o nada nos nada.

Mas por que não falo do Ócio do ócio? Bom, deveria parecer óbvio, mas não custa explicar. Não falo do ócio do ócio porque, justamente, esse ócio na sociedade conteporânea é quase uma Utopia, da mesma forma que genuínos Filósofos o são. Quem não tem ocupação, ganha. O número de pessoas hoje que se reserva um tempo pra refletir é quase nulo, se compararmos a proporção. É interessante fazer essa experiência: reserva-te um tempo pra refletir, verás que esse tempo não durará muito, e o tempo que durar, será ocupado por pensamentos que não serão genuinamente reflexões descompromissadas com a realidade objetiva. Mas o que é realidade objetiva e subjetiva? É, terei que deixar isso prum próximo post.

Portanto, caros leitores, pratiquem o ócio do ofício, é o que vos resta se não quiserdes de repente esquecer da vossa existência e afogar-vos no frenético mar da indiferença.

Well, well, well...

Aqui estamos nós.... mais uma madrugada!
Pense bem, o que pode ser mais agradável que uma bela madrugada, seja ela da segunda, da quarta ou do sábado?? A madrugada é perfeita.... possui a temperatura ideal, aquele silêncio inspirador, aquele filme super bacana, as pessoas perfeitas on line, as conversas mais loucas, as discussões mais interessantes...a bebida mais saborosa, a saudade mais verdadeira e a dor mais intensa.
E nós estamos aqui, unidos mais uma vez \o/ ...pela bela e inspiradora MADRUGADA!
Vai dar pé?!...não sei, mas garanto que vai ser uma bela experiência.

Here we go!!

sábado, 26 de janeiro de 2008

O começo

Em uma das intermináveis aulas de Teoria Literária, descobri por indução que o tempo da narrativa varia muito. Nem sempre o começo é começo – embora sempre haja começo, mesmo começando do fim – ou não (como diria Caetano.) Fato é, que começar algo, nem sempre é fácil: lembra da dieta da próxima segunda? Pois é. Exige-se muito do primeiro passo, por ele ter que ser dado com o pé direito, para os supersticiosos; por ele ter que ser deveras cauteloso, para o prudente e por ele ser experimental, para a criança que prepara-se para levantar.
Começar: verbo transitivo direto e indireto, do latim cominitiare: dar princípio à, iniciar. Parte de um ciclo, das voltas do mundo, das rodas da modernidade. Em tudo há começo e nada pode acabar sem ter começado. Temos uma certa adoração, que vai além de mística, pelo começo. "Ano novo, vida nova". Promessas, realizações, sorte... Como se o começo nos desse uma nova chance de vida. Começar, sendo difícil, pelo novo, é fácil pela permissão para refazer. E refazer, sendo fácil por ser de novo, é difícil pelo começo. Complicado, não?
Enfim... Se no começo era o verbo, que venham as interjeições e os adjetivos!
Fiat Lux.

\o/

Todas as formas de boas vindas para todas as mentes mais incríveis de várias madrugadas cheias de pensamentos.

Esteja bem vestido, de óculos, maquiagem e bem sóbrio, pois o conhecimento só é válido quando é bastante absorvido.
Então amigos e amigas, não me responsabilizo por danos mentais.





Então... Demos mais um passo sim. Se pessoas como: Fani, ex-BBB, tem blogs, por que nós não podemos?


Tim tim!

Madrugada

"Madrugada é o período do dia que vai da meia-noite ao amanhecer (normalmente arredondado para seis horas da manhã.

De fato, a madrugada é uma extensão da noite, na qual se dá o repouso noturno da maioria das pessoas e há a obrigação de se guardar silêncio. Parece contraditório, mas a saudação feita a alguém que se encontre nesse período é bom dia, ainda que o sol não tenha nascido)."

(wikipédia)


... e em nenhuma hora o dia é tão romântico e perfeito quanto aquela em que ele está ausente.


Isso merece um brinde e
uma canção.

Bem vindos, amigos.

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