sábado, 6 de setembro de 2008

Ah, o amor, esse temporal...*

Resolvi falar sobre o amor, hoje. E especialmente pra esse blog, por um motivo específico: Quero compartilhar minha visão acerca desse assunto tão abstrato, que chega quase a incomodar. À princípio, vou no Drummond, vê-lo escrever: "Que pode uma criatura, senão entre criaturas, amar?amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? Sempre, e até de olhos vidrados, amar?" O que fazer do amor? Drummond saberia responder. Fato é que o amor é algo inoportuno. A gente nunca tem quando quer, por mais que peçamos. O amor aparece, e vai embora de um jeito ou de outro. Há quem explique por teorias, mas o amor "foge a dicionários, e a regulamentos vários" (como ainda escreveu Drummond). Todo mundo ama. De uma forma ou de outra, todo mundo ama. E como pode ser o amor diferente pra cada pessoa? Por que minha visão de amor é diferente da sua? O que me faz amar? Não sei responder essas questões, e quando souber, talvez já até tenha deixado de amar. Amor e fé, não se discutem, sentem-se. Hesse diria ainda, que "amar e desejar não é a mesma coisa: o amor é o desejo que atingiu a sabedoria". Mas, como saber quando estamos prontos pro amor? Essa é a grande questão: Não há métodos, ou manuais de instrução. O amor tende a desandar, tende a se desfazer, caso seja amado demais. O amor é estranho, quase um quasímodo solitário, tocando seus sinos em harmonia. Não quer ser controlado, possuído ou dado; quer somente amar. O amor é o bicho arredio que insiste em nos rodear. Quando quer, é claro.


*Trecho de Samba de Verdade - Eduardo Gudin.

Escrito ouvindo "Everybody's gotta learn sometimes - Trilha de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças.

domingo, 15 de junho de 2008

Reforma da Língua Portuguesa: Maquiagem definitiva?


Há uma nova reforma da Língua Portuguesa em voga, prevista pra iniciar-se em 2009. Diferente da reforma de 71 que mudou as palavras da Língua Portuguesa brasileira, esta nova faz parte de um acordo firmado em 90, entre os oito países falantes da língua.

Essa reforma não pretende ser drástica, como dizem alguns educadores, porque atinge apensas 2% de palavras de 228.000 verbetes da língua. Para Enilde Faulstich, professora da UnB de história da língua portuguesa, "essa reforma é uma minilipo no português, para deixá-lo um pouco mais magro"

Embora essa reforma seja bem quista por alguns, eu acredito que será um problema para os alunos que terão que se adaptar, e problema também para nós, futuros professores de língua portuguesa, que não aprenderemos sobre essa reforma na universidade. Segundo alguns lingüístas, nós demoraremos pelo menos dez anos para nos adaptarmos às novas regras. Haverá, então, certa divergência, posto que os que começam agora a aprender a língua, logo se adaptarão.

O que acontecerá são alterações na ortografia: os hífens de algumas palavras deixarão de existir, e serão acrescentados em outras. Além disso, a trema (coisa que há muito não usávamos) vai deiar de exisitir em algumas palavras. Muda-se também as consoantes dobradas como rr e ss, em outras palavras. Prevê-se que em palavras como lingüiça, ao perder a trema, passe a ser dita com o som de "gui" como em guilhotina ou guia. A língua falada mudará também.

Essa decisão veio do MEC, e os professores não foram questionados à respeito da mudança. Essa verticalização da educação, ou seja, onde o órgão que tem o maior poder manda e todos obedecem, faz muito mal a todos. Somos reféns desse sistema de ensino, onde somos obrigados a ouvir e repetir. Essa reforma não valerá muita coisa, porque o que está errado é a necessidade que o aluno tem de decorar as regras. As leis gramaticais deveriam ser mudadas, em amplo sentido. O maior problema está no emprego das letras, e não na acentuação.

Portugal ainda está resistente às mudanças. Para o país, a mudança da grafia afetará cerca de 1,6% da língua. Eles querem manter a tradição.

Mudar a língua é sim necessário, mas uma mudança que facilite o aprendizado da língua.

sábado, 26 de abril de 2008

Nada Como Ser Pessimista.

Hoje estou aqui, passando por mais uma madrugada difícil. Normal. Me sinto extremamente egoísta, achando todos hipócritas, que tudo está errado e etc. Ah, até aí tudo bem, nada de surpreendente. Quero primeiro varrer minha calçada pra depois, se quer, olhar para a calçada do vizinho.
No final eu não terei motivos para me incomodar. Quero ser bem sucedido e não ter com o que me incomodar. Caso eu seja mal sucedido nos meus planos, ou uma ou outra; fico doente ou conservo a saúde. Se eu conservar a saúde, não terei motivos para me incomodar. Se eu ficar doente, ou uma ou outra; curo ou morro. Se eu curar, não tenho motivos para me incomodar. Se eu morrer, ou uma ou outra; céu ou inferno. Se for pro céu (o que é difícil) não tenho motivos para me incomodar. Se eu for pro inferno, eu terei de cumprimentar tantos conhecidos que não terei nem tempo para me incomodar.
No jornal as pessoas que amei vão ver: "faleceu um homem auto-suficiente. Não precisava dos outros. Era triste e feliz sozinho. Tinha respostas para tudo. Tinha... até ontem quando percebeu que as respostas que tinha eram para perguntas que não faziam o menor sentido. Logo, ele não sabia de nada e se foi...". Enquanto esse dia não chega, acho que tenho muito o que dizer, muito o que protestar. Afinal, até o cachorro late diante do perigo e da injustiça! E eu?!
Às vezes penso por qual motivo eu não falo da beleza da rosa, e sim, da fome e solidão de quem planta essa rosa. Sei lá, essa metáfora serve para a vida como para o amor. Nada como ser pessimista e se preparar sempre para o pior. Assim, prefiro evitar o pequeno espaço de tempo em que espero a ilusão e a decepção se encontrarem.

domingo, 30 de março de 2008

Falar, falar e falar.


Todos sabem que falar é fácil, falar algo interessante e coerente não é tão fácil. Expressar causas e sua personalidade também é fácil, sendo elas verdadeiras ou criadas. Quero então, neste texto, EXPRESSAR minha raiva pela capacidade do ser humano aderir falsamente a causas, e digo, tem gente que realmente se esforça para mostrar algo que definitivamente não é. A questão é todos tem sua definição do que é certo e errado, feio ou bonito, mas nem sempre seguem o que acham que devem. Quem nunca conversou com alguém que não parava de reclamar do governo, disso, daquilo, da fome, da falta de vergonha e de ninguém fazer nada? Conheço uma pessoa que faz textos e mais textos sobre o governo, mas nunca fez nada por isso. Ora, se algo lhe incomoda tanto, você faz algo, não? Lembro que na época que tiveram aqueles problemas no aeroporto de Congonhas, diversas pessoas colocaram uma flor lindxinha no nick do MSN e ficaram passando correntes, como se elas realmente se importassem. Coisa de quem quer aparecer. Coloca uma flor no nick e fica falando das gatinhas e da balada, uma falta de respeito absurda com quem está realmente sofrendo com a perda de alguém próximo. Outros ficavam reclamando o dia todo, é, falar é fácil. Claro que a obrigação não é nossa de manter a segurança, mas o país é nosso, e ele não vai mudar do nada. Outro caso: fotos de pessoas morrendo de fome no álbum ORKUT, pessoas que querem se mostrar realmente afetadas com a fome mundial. Se estão afetadas, vão arrecadar comida e distribuir para quem tem fome, faz um sopão e vai distribuir, ou qualquer outra coisa que ajude, ao invés de ficar reclamando. O contraditório agora, em todos lugares tem os pseudo-intelectuais, “comunistas” e cia, que dizem que a pessoa não tem que ligar para o que as outras vestem, mas são os primeiros a apontar para uma perua e discriminar, falam sobre o preconceito, mas na verdade são estes os preconceituosos. Se não precisa ligar para o que os outros vestem, por que logo eles tem o direito de fazer isso?

Falsos moralistas, quem não os odeia?

quarta-feira, 5 de março de 2008

Elite econômica e cultura.

O Brasil tem pouquíssimas pessoas na classe A. Para que um pessoa integre a classe Alta-Alta, é necessário que seja muito rica e tenha um sobrenome tradicional. Então, o que vemos no país hoje, é uma ascensão de new richs. Pessoas que se deram bem na vida, e comandam a economia – bom pra eles – e a forma com que o país cresce. Até aí, fato comum a quase todos os países subdesenvolvidos.
Mas, acontece que essa elite econômica, não é necessariamente a elite intelectual. Então há um choque de poderes: a elite do dinheiro que é em parte burra, e a elite intelectual que quer ser a elite do dinheiro. A elite que comanda o dinheiro importa cultura e faz a gente "dançar conforme a música". Bom, pluralidade cultural é bom. Mas e quando não há pluralidade? Aí a coisa complica. Quando a elite ouve só o sertanejo-perdi-alguém, ou o funk-quero-parecer-pobre, e dá de costas para a mpb, para o choro, desprezando a música clássica, faz o país declinar culturalmente porque investe pouco em arte.
Podem me chamar de elitista, moralista ou conservador dos bons costumes. Há quem diga que sou mais um daqueles de direita, baseando-me em moral cristã. Não sou, aliás, considero-me o oposto. O que digo, afinal, é que essa elite que não se atenta à música, a arte, a literatura, tende a ignorância profunda. O pior é que muitas pessoas da classe baixa, querem ser da classe alta, mas querem da maneira mais fácil: daí se vão os milhões de apostas na mega-sena, os meninos querendo ser jogadores de futebol e jogar na europa, as garotas querendo ser mulheres de homens ricos, e por aí vai. O Brasil está em crise intelectual. Claro: os intelectuais de hoje em dia pensam demais e ganham de menos, ou estão na política. Pecam em discurso quando se envolvem em política...
Falando em discurso, sei que o meu não é dos melhores. Será que sou da elite econômica e não sei? Espero que não.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Medo de fazer terapia e perder a inspiração...

Fazer terapia é um barato muito louco e bem diferente daquilo que a gente vê nos filmes. É um processo bastante interessante e também bastante lento e gradual. Confesso que sempre tive medo de fazer terapia, um medo interno, medo talvez de descobrir que a realidade em que eu vivia podia, no fundo, não ter muito sentido.
Cazuza cantou certa vez : "eu vou pagar a conta do analista para nunca mais ter que saber quem eu sou". Interessante como isso faz realmente muito sentido depois que se está no processo. Cazuza disse bem, saber quem realmente somos pode ser muito aterrorizante, tão aterrorizante quanto ir ao médico e descobrir que se tem câncer e que te resta apenas 3 meses de vida. Mas há tanta beleza nesse processo, que vale a pena tentar porque o terror das descobertas, em certo momento, dará espaço à grandes experiências, relacionamentos saudáveis e uma vida de sentidos. Claro que não é fácil e simples assim, pode ser doloroso.
O processo terapêutico se dará de forma melhor se você for com a cara do terapeuta, então é o seguinte, procure até encontrar alguém com quem você se sinta no mínimo bem. Também é importante saber que há variações bastante perceptíveis de abordagem para abordagem, então procura saber qual a abordagem seguida pelo terapeuta, pode ser importante caso você não goste, assim, na próxima poderá tentar encontrar alguém de abordagem diferente.
Enfim, não há o que temer, fazer terapia é conhecer-se a fundo. E há no mundo algo mais inspirador do que o próprio conhecimento sobre si mesmo?

Me desculpem esse post estranho, mas queria falar um pouco sobre a importância do "descobrir-se" e o quão libertador isso pode ser.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Quem é o inimigo? Quem é você?*


(...)Não faz parte de mim o idealismo: o título diz "Onde vós vedes coisas ideais, eu vejo – coisas humanas, ah, coisas demasiado humanas!" (...)
(Trecho de Humano, demasiado humano – F. Nietzsche)

Hoje, enquanto esperava o ônibus, parei pra prestar atenção à garoa que caía sobre o centro, e acudia o céu colérico-fumaça. Um hippie se aproximou de mim, e começamos a conversar. Ele me contou que estava indo pra Teresina, mas antes passaria por Goiás. Me fez pensar: "O que leva esse cara a viver tão livre assim?". Novamente, me atentei à garoa: quantos ali pensavam sobre sua influência cotidiana? Então, decidi escrever hoje sobre visão. O que tem a ver? Não sei, tirem suas próprias conclusões.
Ao meu ver, existem três tipos distintos de pessoas: As que enxergam o que querem, as que enxergam o que a mídia permite, e as que sequer enxergam. Quem enxerga o que quer, sai em desvantagem: a pessoa pode acabar inventando uma própria realidade. Algo quixotesco, que mesmo sendo uma válvula de escape poética e as vezes necessária, não serve a todo momento. As pessoas que enxergam o que é permitido que enxerguem, talvez vivam felizes. Mas isso me parece alienação e por mais difícil que seja, devemos fugir disso; quem enxerga o que está somente sob seu alcance, acaba não vivendo realmente: não é permitido viver tudo, porque é imoral, ou ilegal. As pessoas que não enxergam, não são capazes de argumentar sobre qualquer assunto além de sua cegueira, por isso não vou desenvolver qualquer comentários sobre elas. Reparem que não falo de deficiência física, por favor.
Você é de qual tipo de pessoa? Não sei. Não sei ao menos de que tipo de pessoa eu sou. Todos estes tipos apresentam problemas, pecam pela falta ou sobra, mas são o que nos sobra. Ou será que há outro tipo? Talvez haja, mas isso é assunto pra uma próxima. Devemos na verdade equilibrar esses três tipos de visão, cada um valendo-se em horas diferentes, mas todos emergidos do rotineiro. É possível sim, ver além do que nos mostram, mas a alienação é tão presente, que não há como escapar dela. A cegueira, pode nos salvar de um fim trágico, e os olhos "espelhos do mundo", só me fazem, mesmo, refletir.

* frase da música "soldados" do Legião Urbana.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Elo Biológico, dane-se.

Hoje parei pra pensar nas coisas que estão me acontecendo, isso está complicado. Tirei conclusões, precipitadas ou não, conclusões. Minha cadela (que mora na casa onde moram minhas irmãs, ou seja, haja ração) está dando cria, doze cachorrinhos. Óbviamente não temos condições para criar todos, então daremos alguns. A mãe ficará com um, e outra cadela (que vive aqui em casa) ficará com outro. Sem dúvida alguma o filhote que ficará aqui vai ser igualmente tratado pela cadela, independente de laços sanguíneos (sim, os animais tem mais consideração pelo próximo do que nós, tenha certeza disso).
Diante dessa situação, me identifico em parte. Fui criado com meu avô e avó, eles são meus pais. Mãe e pai morreram. Não lembro deles, eu era um "filhotinho". Anos se passaram, fui descobrindo sobre essa história. Não tenho o que reclamar dos meus avós, eles são tudo pra mim. Hoje em dia a família do meu pai anda me procurando querendo que eu saiba de um passado que eu não preciso saber. Querendo que eu saiba de coisas que não sinto a menor falta. Tenho motivos pra ignorá-los, para além disso, ser grosso com essas pessoas. Mas não, apenas ignorarei, porque tem pessoas que não são dignas nem de minha grosseria.
Fico pensando, será que a cadela daqui de casa se importa com laços sanguíneos? Sim, eu disse aquela coisa clichê de mãe é quem cria. Todo mundo sabe, mas nem todo mundo vive isso, e uns sofrem e outros não, eu sofri, mas não tenho do que reclamar, a vida é muito justa comigo. Isso é algo que todos sabem, mas não custa lembrar.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

A chave ou a porta?





O que é o sucesso?
É uma palavra que as pessoas normalmente ligam a fama. Mas por qual motivo?
Esses dias eu estava assistindo, pela décima vez, aquele filme do pingüim sapateador: "Happy Feet".
É uma graça por sinal, mas não estou aqui para fazer críticas ao filme. Para quem não assistiu, é a história de um pingüim que não sabe cantar (essencial para o cortejo), mas que já nasceu sapateando. Ninguém reconhecia seu exímio talento, e até caçoavam dele.
Pensando bem, é isso que ocorre exatamente na nossa sociedade. Não é reconhecido e dado devido valor para todos que executam perfeitamente bem o seu trabalho ou alguma atividade. Existem setores que um bom trabalho é facilmente valorizado, como na televisão. Por que os atores e músicos famosos são tão assediados? Ora, pois são bonitos e/ou fazem um bom trabalho. Que bom para eles. Mas tem muita gente que se esforça mais, e faz seu trabalho muito melhor do que eles fazem o deles, e ninguém dá a mínima! Poxa, eu sou uma ótima jogadora de campo minado e não tem nenhuma pessoa na porta da minha casa me pedindo autógrafo! Por que ninguém faz um "especial" na TV para uma mãe solteira que tem três empregos, passa o dia trabalhando, volta tarde e limpa a casa, e tudo isso tendo dormido apenas 6 horas? Isso sim é impossível, e não “emagrecer 20 kg” para ganhar algum milhão fazendo filme. É, tudo bem não reconhecer, mas tratar desdenhosamente e até humilhar essas pessoas que se esforçam tanto é demais. Essa é uma das coisas que deixa muita gente indignada. Todos possuem algum talento, alguns talentos são visíveis, outros nem tanto (como o meu para campo minado), mas os talentos visíveis são melhores que os outros?
A maioria do sucesso no trabalho depende de pessoas que nem nós mesmos damos o valor que merecem. Não estou falando da família, e sim dos professores. Um médico salva as vidas, mas só é possível chegar ao seu cargo tendo passado pela aprendizagem, pelos professores claro.
Sempre perguntam qual a chave do sucesso, acredito que é preciso mais de uma chave, e aprender (maioria das vezes com professores) é uma dessas chaves. E mesmo assim, a maioria deles ganham tão pouco e ainda são desrespeitados por quem eles prestam trabalho. Certa vez estava conversando com um professor que também era meu amigo (ótimo professor por sinal), ele era voluntário em escola pública, e contou que certa vez foi ameaçado com uma arma por não aceitar um trabalho além do prazo que já tinha sido prolongado. Ou seja, você trabalha voluntariamente para ajudar alguém que acaba apontando uma arma para sua cabeça. Essa é outra mais uma coisa que me deixa indignada.
Pessoas se esforçam para conseguir sucesso e requerem tanto o reconhecimento alheio mas esquecem de reconhecer, e valorizar é claro, quem os ajudou a tornar possível tal sucesso. Os autodidactas me perdoem.
Como seria se não existissem médicos? E se não houvessem pedreiros? Como seria o mundo sem PROFESSORES?
No Japão a educação é valorizada adequadamente. O professor é tratado com todo respeito e historicamente a única pessoa que o imperador levanta para cumprimentar é o professor. Sem educação não tem futuro, quando o BRASIL irá compreender isso?
É necessário educação para haver empregos. Então a chave mestra do sucesso para o Brasil (e para outros países) é a EDUCAÇÃO.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

OPEM YOUR EYES

Ainda que nunca tenha escrito muita coisa nessa vida, falo demais! Criando coragem pra deixar a cara pra baterem, queria deixar também uma coisinha a mais na cabeça de quem ler: se um dia desses qualquer vocês se deparerem com um joguinho "meio besta" chamado Tangram, disfarçadamente levem-no pra casa, sentem-se num dia calmo e começem a "brincar" com ele. Com certeza vai mexer com vocês! Não desistam na primeira vez...persistam muito, tentando completar alguma das figuras propostas lá. Conseguiram? Viva! Passem para outra, e mais outra, e mais outra... Com o tempo, irão perceber o que ele vos ensinará!
Aprendi muito nesse "brincar"! Tirei conclusões tão acertadas para minha vida..... desde perceber meu grau de paciência com as coisas, a teimosia em continuar, a alegria de conseguir, tolerância a interferências, humildade em desistir e aceitar, a conjugar fatos que considerava impossíveis, a aceitar limites, enfim, tantas e tantas outras coisinhas que muitas pessoas talvez passem uma vida inteira sem elas!
Mas, a última lição o Tangram me fez valer, foi a de que se não estivermos com os olhos bem abertos, mas é muito abertos mesmo, para o mundo, para o que se passa em nossa volta e para o que principalmente se passa dentro de nós, numa maneira integralizada, veremos que como no mundo as coisas têm lá suas variadas formas de se encaixarem, e que nós também nos montamos e nos deixamos montar de diversas formar..... e que sempre estaremos incompletos em momentos e em outros não! A vida é sempre uma dialética (me perdoe a expressão, Luan), mas, que foi através de um joguinho inventado a milhares de anos atrás na China, que vivi assim e pude perceber, ainda nessa vida, tal coisa!
Agora, que pedaços de mim - como naquelas 7 peças - se espalham, são largadas por aí, outras resgatadas, outras fixadas, outras viradas de um lado para outro, se encaixam ora perfeitamente , se desmontam em outras, mas sempre tentando uma nova e/ou maior consciência do meu próprio eu.
Perdoem-me todos, os erros que encontrarem por aí, mas o tempo está acabando pra postar e eu também nem saberia corrigí-los!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Um dia você aprende...



O vídeo por si só já explica bastante coisa.
Quem já viu tenho certeza que não se importaria
de ver de novo e pra quem não viu eu digo uma coisa:
Pense nisso!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

aqui, nessa redoma




E após mais um longo ano que pareceu ter bem mais de trezentas noites, me deparei com o natal. Estranhei o fato de ver os bonecos do velho Noel rebolando nas vitrines ainda antes da metade de novembro (afinal, mal tínhamos digerido a saudade repentina que o dia de finados trouxe aos nossos corações...) Havia pressa.

Ignorei tal fato e sorri - embora adiantadamente - para o espírito natalino. E gastei o que tinha que gastar em presentes, ceia e roupas... Sempre feliz... sempre cantando ou no mínimo assobiando. Afinal, era natal! Enganei então minha criança como sempre o fiz, passei fome até a meia noite e fiz leituras da empoeirada bíblia. E acabou o natal.

Lá vem o reveillon!

Ajudei a lotar as lojas atrás de roupas e sapatos brancos (nessa época não se apelida o outro de pai-de-santo). Programei viagens, gastei com fogos de artifício e fui à praia. Pedi paz e me embebedei.

No primeiro dia do ano tudo parece diferente... como uma nova era, um novo tempo, um recomeço... Amei as outras pessoas e comi os restos da ceia, sem reclamar. Até que numa fração de segundo a noite chega e de longe ouvi um som familiar... olhei na televisão e lá estavam elas... as primeiras bundas do ano à mostra em horário nobre, nos chamando para ser feliz!

Era o carnaval.

E o mês de janeiro consagrou-se como um mês de esperanças. Esperei o carnaval, esperei o feriadão, esperei que acabasse logo.
Durante quase uma semana, esqueci da bíblia empoeirada, esqueci da paz do reveillon, esqueci das roupas que comprei. Apenas bebi, dancei e fiz sexo.

Até que numa quarta recobrei a consciência. Na quinta voltei ao trabalho e notei que o ano estava aí, vi na televisão que a quaresma começara e minhas contas estavam atrasadas.

Foi quando, no supermercado notei que, algumas pessoas se utilzando de escadas, avidamente peduravam em um dos corredores os primeiros ovos da páscoa.


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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Carnaval, carnaval...


"Mas é carnaval,
Não me diga mais quem é você,
Amanhã tudo volta ao normal,
Deixe a festa acabar
Deixe o barco correr
Deixe o dia raiar"
(Chico Buarque – Noite dos Mascarados)

Quem nunca pulou carnaval, nem quando criança, que atire a primeira pedra. Lembra das festas de carnaval na escola? Aquelas com muitos confetes, máscaras enfeitadas com lantejoulas e purpurinas, fantasias com crepom?
Não lembra disso? Arrisco-me a dizer: Você não aproveitou a infância. Carnaval é algo intrínseco na vida do brasileiro. Aquele frase que diz: "O Brasil só funciona depois do carnaval" não é tão verdadeira. Arrisco-me novamente: O Brasil não começa a funcionar depois do carnaval: o Brasil, funciona por causa do carnaval. Carnaval é a festa mais esperada pelo Brasileiro e pelo estrangeiro também, por quê não? Afinal, os gringos adoram ver nossas mulheres e ouvir nossa música agitada. O mais interessante, é que essa festa não começou no Brasil. Mas como brasileiro é bicho inteligente, fizemos uma adaptação e agora quem inventou a festa, se rói de inveja, porque nossa releitura ficou bem mais popular e bonita. Carnaval deveria ser também dia nacional da fantasia, do lúdico. Durante quatro dias, o povo esquece que tem problemas, que vive aos trancos e barrancos, que tem que se virar como pode; em quatro dias, o que importa é a diversão. Mas se você não se diverte no carnaval e não vê a hora disso passar, não se desespere: há sempre uma saída pra quem não gosta da festa. Você odeia samba, mulheres seminuas e caras cantando com aquela voz estranha? Você não suporta o carnaval de Salvador, com aqueles axés e pessoas muito próximas, suadas e pulando feito loucas? Tudo bem, pode ir pra qualquer outro lugar, desde shows de rock a boates com música eletrônica. O importante é se divertir, porque esse é o único feriado feito pra festa, não sendo motivo de patriotismo, ou cristandade. Eu não poderia deixar de dizer: use sempre camisinha, no carnaval, ou não.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Tempo.


Tempo. Pra muitos sobra, pra muitos falta. Todos nós temos o mesmo tempo para utilizar, basta saber administrar. O tempo pode ser uma arma pra destruir um amor, uma arma pra contruir uma dor. O tempo é curto. Todos nós temos pouco tempo, todos nós que temos planos, todos nós que temos sonhos. Muitas vezes ele nos ajuda, mas não percebemos. Muitas vezes ele nos atrapalha, e vamos ver depois.
As pessoas não sabem quando tempo durarão. Seu tempo pode acabar agora. Ninguém sabe. Devemos pensar que aquilo de bom que tivemos foi só o início, e que daqui a um tempo teremos coisas melhores? Acho isso meio errado. Por que que aquilo que nós vivemos parece tão "superável"? Por que nosso grande amor não pode ter sido na adolescência? Por que temos sempre que achar que no futuro teremos algo melhor? E se o tempo acabar antes? Devemos dar valor ao passado sim. Tempo não quer dizer intensidade. Tu pode amar uma pessoa dois anos, e amar outra uma semana, e esse amor de uma semana ser bem mais intenso. Nisso o tempo não interfere. Às vezes ele passa rápido, sinal que foi bem aproveitado. Às vezes devagar, mal aproveitado, porém, foi gasto. Agora lhe resta menos tempo. Ele está se esgotando. E enquanto ele vai o remorço vem, o arrependimento, a saudade e a impotência de voltar atrás.
Nossas vidas não se definem no tempo em que sobrevivemos, e sim no que vivemos. Mais ou menos que nem aquele conto do homem que foi entrevistado: ele tinha noventa e cinco anos, não bebia, não fumava, não comia carne, não saía para festas, não se arriscava, não fazia loucuras. E que graça tem viver assim? Sou daqueles que tem a teoria de viver a cem e durar trinta, do que viver a trinta e durar cem. O tempo é o que há de mais cruel, como eu disse, ele destrói coisas, cria coisas, leva e trás coisas, mas o tempo ao mesmo tempo é a única coisa que temos, e não sabemos até quando teremos. Isso nos faz (nem todo mundo) querer aproveitá-lo, mas nem sempre podemos. O que está esperando pra ir visitar aquela pessoa que tu só conhece virtualmente? O que está esperando pra botar em prática seus sonhos? Ele vai acabar, disso já sabemos. Mas será que realmente estamos usando-o de um modo que depois independente da hora em que ele acabar vamos nos sentir satisfeitos?

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Coisas



Bem, essa é minha estréia aqui no vim, disseram que eu posso falar sobre qualquer coisa, como
não tenho um assunto definido, portanto falarei sobre, coisas. Coisas que
me deixam intrigada.
Primeiramente compartilharei minha dúvida em relação a uma bola espelhada.
Imagine uma esfera grande ao ponto de caber uma pessoa de pelo menos 1,90 cm sobrando espaço. A tal esfera é espelhada por dentro, bem um espelho todo côncavo. Aquela velha frase "desculpem minha ignorância" mas o que você, dentro dessa esfera, veria refletir no espelho? pois você seria refletido por todos os lados, ângulos e tudo mais. Eu pensei em várias possibilidades congruentes, mas não posso ter certeza de nenhuma delas, acho que vai acabar aparecendo um "borrão", então por favor, façam uma vaquinha e me comprem uma dessa no próximo aniversário.
Outra dessas coisas é como o ser humano pode julgar precipitadamente outra pessoa na qual possui os mesmos defeitos que ela própria. Vejamos no Big Brother, os telespectadores julgam de uma forma negativa os participantes que julgam outros participantes, mas os mesmos telespectadores estão julgando o participante sem conhecer. Claro que com algumas características visíveis pode-se ter uma noção de pontos da personalidade de alguém mas não o suficiente para definir uma personalidade de modo geral. Nós estamos julgando pontos da personalidade alheia a todo momento, mesmo sem saber. Então, é usado o suposto "erro" de alguém para defini-lo, coisa no mínimo estranha.
Para finalizar: coração de galinha. Ora, para cada coração de galinha, há claro, uma galinha. Um espetinho possui uns 5 corações, então, 5 galinhas. Quem come tanta galinha? em churrascos tem vários corações mas não tantas galinhas ou frangos p cobrir o número de corações. Deve existir um lugar cheio de galinhas sem coração, literalmente.
Por enquanto é só.. um beijo (1).

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Arco-íris


Engraçado como ás vezes paramos pra pensar em alguns detalhes do nosso cotidiano que, apesar de conhecidos, muito pouco são refletidos. E num dia de chuva forte me dei conta do arco-íris.

Às vezes admiramos a bela paisagem ensolarada de um dia de céu limpo, às vezes lamentamos a morbidez de um dia chuvoso, mas poucas são as vezes em que as duas coisas parecem acontecer ao mesmo tempo. Quando a chuva, muitas vezes intensa, dá lugar à luz do sol que parece querer disputar a atenção de todos dizendo: "Sai daqui, incoveniente, não vês que todos aqui me esperam, chegou minha hora!", e a chuva, inabalável, parece responder: "Ah! Mas não saio mesmo! Tu que não vês que ainda não descarreguei esse peso que me pões nos ombros! Aquieta-te!"; eis que no meio de uma aparente disputa surge ele, o arco-íris.

O arco-íris é um fenômeno ótico natural, onde os raios de luz refletidos nas gotículas de água produzidas pela chuva se refratam, decompondo-se nas cores: vermelha, laranja, amarela, verde, azul, anil e violeta; na ordem de fora pra dentro.

Mas, pensem comigo, o arco-íris é mais que isso. Durante a Guerra dos Camponeses, no século XVI na Alemanha, foi usada como sinal de esperança na nova era; é atualmente usada como bandeira do movimento Orgulho gay, representando a diversidade; é usada também com símbolo da paz. É mais... É a arte provando sua validade, é a inspiração do artista das cores provando sua eternidade. É, por fim, a fantasia genuinamente real de toda criança que vê seu desenho nos livros, na literatura, na poesia, na pintura, e sabe, com toda certeza do mundo, que aquilo existe, e eventualmente, quando o sol e a chuva parecem discutir por atenção, aparece pra dizer: "Ora, não briguem! Há um grande tesouro no fim da minha imagem a espera de vocês. Estão esprando o quê pra procurá-lo?!", e nessa hora partem os dois, um pra cada um dos lados, em direção ao tesouro no fim do arco-íris, o tesouro da paz, a peça pregada pela natureza pra selar a harmonia do ciclo dos dias e das noites.

E agora que o arco-íris cumpriu seu papel, eu vou com ele.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Saudade dos carnavais que não vivi...

Quando penso em carnaval só o que me vem na cabeça são imagens daqueles grandes bailes de Carnaval de antigamente, fico até empolgada. Penso nas marchinhas, nos sambas-enredo, nos passinhos miúdos das pessoas no meio do salão, nos lança-perfumes, nas fantasias bonitas com lantejoulas. Lembro da minha vó. É, associo carnaval à minha vó. Minha vó foi uma grande fanfarrona. Ela sempre gostou dessas festas e sempre fez questão de participar de todas e de levar os filhos e também fazia questão de que todos tivessem uma bela fantasia. Durante a minha vida toda ouvi da minha vó essas histórias sobre grandes carnavais. Hoje vejo o carnaval com olhos saudosistas. É triste ver que algumas coisas quase não existem mais. Os bailes de carnaval foram invadidos por funks, pagodes, axés e até forrós. Os passinhos miúdos foram substituídos por pulos descoordenados, até serpentinas e confetes perderam espaço. Como isso pode ser possível? Parece até que o carnaval de rua também perdeu seu encanto. Tudo muito modernizado, poderia também dizer "globalizado", se é que me entendem. Mas pelo menos o Carnaval de rua ainda tem seu espaço, um bom espaço.
Tenho saudade desses carnavais que não vivi. São coisas que não voltam mais. E minha vó, que hoje já não conta mais histórias vai levar com ela esse velho carnaval.

Um pouco sobre a história do Carnaval no Brasil a quem interessar:http://www.miniweb.com.br/cidadania/dicas/carnaval.html

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Relações Comportamentais

E aqui estamos, todos vestidos complexos e armados
Não que tudo isso seja fora do comum, mas estamos todos acostumados a ser "normais".
Bem, encaramos coisas ao nosso redor como normais, e aquilo que está fora e aparece
meio que de "relâmpago" é algo incomum.
Hoje em dia é fácil você chegar e apontar na cara da pessoa e dizer todos os defeitos dela, embora
não o faça para evitar confusão. Então o jeito mais fácil é você apenas fingir que não está vendo
esses defeitos e acaba no entanto "falsificando" as qualidades e esses defeitos é claro.
Pense comigo, quem é o chato mais próximo de você? e o mais fofoqueiro? o mais bonito? o mais implicante? o mais legal? o mais falso? o mais idiota? o mais burro? o mais inteligente?
Se você não for egocêntrico provavelmente deve ter dado todas essas características a alguém que conheça, embora nem sempre cabe, mas nós temos o costume de fazer isso.
As pessoas preferem se preocupar com a vida alheia do que da própria vida, é claro que há excessões, mas com certeza elas estiverão curiosas ou ansiosas por alguma fofoca alheia.
É difícil perceber que nada disso importa, e que tudo isso é apenas mais uma das manias ridículas do ser humano, porque é fácil apontar os erros e defeitos dos outros, mas é difícil perceber a si própio.
Mas nem adianta fazer esforço, poucos conseguem se "acertar", se "entender" e se "consertar".
É importante você saber com quem anda, mas a partir do momento em que certas qualificações colocadas por você for de sumo preconceito, homofóbico e/ou racista eu faço questão de ser a primeira a levantar o dedo e colocar na sua cara gritando todas as palavras: SEU BABACA!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

rouge à lèvres


Adentrou sua sala com um lúgubre sorriso estampado na cara. Parou, ainda meio tonta e esperou que a sala também parasse. Gargalhou sem emitir som e revirou os olhos. Seu corpo caiu no sofá e suas pernas se abriram... certificou-se que não havia ninguém na casa e gargalhou de novo - desta vez emitindo pequenos sons agudos e intermitentes. Livrou-se dos sapatos altos.
Parou cerca de vinte segundos e permitiu que seu semblante não demonstrasse expressão alguma. Nesse período olhou para o lustre. Sua boca entreabriu-se, revelando seus dente sujos de batom.
Na parede vira a cara de um demônio, com os olhos duros lhe olhava. No chão, figuras do próprio paraíso... Sentia-se como um cão sarnento rolando num edredon branco. Sentia-se culpada. Alisou a face da besta e continuou andando. Sem razão começou a correr no imenso corredor, iluminado apenas pelos jatos de luz da lua que as finas cortinas brancas das janelas abertas ao seu lado direito deixavam vazar. Olhou através de uma delas e viu sua sombra, do lado de fora acompanhando-a. Sentiu-se estremecer quando notou que à sua esquerda faltava-lhe o contorno do próprio corpo. Aproximou-se da janela e sentiu a brisa fria da noite no rosto. Colocou as mãos, com seus dedos delgados um pouco acima da testa, tentando bloquear o claridade e cerrou um pouco os olhos para tentar ver com mais nitidez. Tudo em vão. A luz atravessava seu corpo... Porém conseguiu ver seu contorno ainda correndo na grama, úmida. A sombra do vestido balançando ao vento... tudo parecia mover-se em câmera lenta. Olhou além, para todos os lados e apenas viu a linha infinita do horizonte em um campo verdíssimo iluminado pelo clarão assombroso da noite. Sua sombra agora encontrara uma outra. Ao som da melodia do vento contornando suas orelhas viu-se dançar com um desconhecido. Parecia valsa. A sombra rodopiou e foi cumprimentada inúmeras vezes pelo contorno de um perfeito cavalheiro. Apoiada na janela, percebeu suas pernas cederem. Seus pés descalços sentiram o chão esquentar, gradativamente. Olhou entre seus pés e viu sangue. Emitiu um som inaudível por si mesma e voltou o olhar para o campo. Nada mais havia senão um homem em pé, olhando-a fixamente nos olhos. A respiração ficou ofegante e tentou largar-se da janela. Tropeçou no próprio vestido e caiu... lentamente viu-se ainda tentando agarra-se à cortina. Seu corpo, girou pela força do braço preso ao tecido e ela pode ver em pé, na janela o homem que a fitava do campo. Suas costas bruscamente tocaram o chão, permitindo que o ar saísse, junto a um grito de horror nunca antes ouvido.
Uma lágrima caiu de sua face. Seus dentes estavam secos. Apenas o batom brilhava. Sentou-se no sofá e levou o rosto às mãos, junto aos joelhos. Um suave toque acariciava suas costas. receiosa, tentou ver quem era. O próprio diabo a consolava.
Engoliu as lágrimas, levantou-se e caminhou decididamente à janela da sala. No meio do caminho, sem notar, chutou os sapatos e pisou numa taça, ferindo seu cândido pé.
A noite já não parecia tão encantadora. Não havia lua, nem estrelas. Apenas as janelas dos outros prédios brilhavam. Nesse momento seu mundo se ensurdeceu. Parou em frente à sacada e olhou para baixo. Nada viu. Engolindo seco, debruçou-se no parapeito e vomitou sua vida.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Big Brother e Febre Amarela


Terça-feira é dia de eliminação no Big Brother Brasil. O público vota nos que lhe agrada menos, eliminando-os, e impedindo que disputem o prêmio de 1 milhão de reais. O público julga os defeitos dos participantes, os atos que não condizem com a convivência em grupo, os bons e os maus, os bonitos e os feios (por quê não?). Voltamos à velha inquisição, mas dessa vez, televisionada: de um lado, estereótipos: pessoas aparentemente comuns, com erros e problemas comuns. De outro, o telespectador: aquele quem decide o que podem ou não fazer para que continuem na casa, segundo seus preceitos. A casa, é só um cenário de brinquedo, que diminui a realidade daqui de fora.
Os participantes fazem na casa, o que fazemos aqui fora, com uma diferença: são vigiados o tempo todo, e não podem deixar de serem vistos. (Há quem diga, que os participantes são farsantes e estão lá fazendo papel que os diretores do programa exigem. Ou seja, são manipulados para caírem no gosto popular ou não. Mas não vou entrar nesse assunto: não me envolvo com questões conspiratórias.). Quando não gostar dos seus atos, como por exemplo, quando falam mal uns dos outros, pelas costas, basta votar para expulsá-los. Mas não falamos mal deles também? Quando tentam se vingar, colocando outros participantes à votação, os achamos maus. Mas não somos vingativos também? Puritanos não assistem esse programa.O Big Brother é um horrorshow onde os participantes são espelhos. No fundo, não passam do reflexo de quem os assiste. Por sorte, podemos julgá-los sem precisarmos aparecer na TV.
Falando em TV, o Big Brother deveria entrar para o PAC, do Lula. O programa movimenta mais de 30 milhões em um dia de votação acirrada. Além disso, mantêm outros programas de outras emissoras, e é um dos programas de maior audiência, no mundo inteiro. Os anúncios, durante os intervalos de Terça e Quinta, são caríssimos (talvez os mais caros da TV brasileira). Isso a gente não julga. Na verdade, até pensamos em comprar um carro novo, daquele potente totalflex. (não julgamos, talvez, porque esses carros não cabem na fogueira benta.)
Ah, sim! E quanto a febre amarela: vacinem-se, porque essa febre, não é como a do Big Brother: ela pode levar a morte, e não é tão passageira.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

A Igreja.

Bom, não tenho o português mais correto e nem sei filosofar. Cá estou, pronto para usar o espaço que amigos me deram. Talvez o que vocês vão ler não seja do agrado de todos, mas é o que penso. Esses dias estava conversando com meu avô sobre crenças e religiões, e então aprendi algumas coisas que me fizeram duvidar da existência de Deus e Jesus. A Igreja começou vendendo fé, aliás, ainda vende, mas mais discretamente (a católica, pelo menos). A partir disso já começamos a falar de uma empresa, empresa essa que se aproveita da suposta fé das pessoas.
Partindo do princípio que uma empresa se aproveita de seus "clientes" de tal forma, já começo a olhar com outros olhos isso. Eu sempre fui de agradecer a Deus toda noite antes de dormir, mas também era de pedir coisas boas. E isso não adiantava nada. Minha vida se desregulou um pouco de uns meses pra cá que acabo dormindo de dia, então com o sono que eu tinha nem agradecia, nem orava, nem nada. Não alterou nada, muito pelo contrário, minha vida começou a melhorar mesmo eu não agradecendo ao "Senhor".
Conversando com meu avô, que por sinal é Ateu, acabei aprendendo coisas sobre a história, e nessas ele me explica sobre a Bíblia. Na cabeça da maioria das pessoas a Bíblia é a única coisa que pode "provar" a existência de Jesus e seus apóstolos, mas não é. A Bíblia foi escrita uns 400/500 anos D.C. sem provas contretas, ela foi escrita no intuito de mostrar pras pessoas o que a Igreja pensa. Mais ou menos como se fosse a Globo fazendo um jornal sensacionalista em seu benefício, sem contar com a verdade, e sim com aquilo que realmente a interessa. Digamos que Moisés foi um colunista, e por aí vai. Enfim, sem prova de nada, como podemos acreditar no que essa empresa diz?
Vejamos na televisão, pastores de Igrejas protestantes vendendo explicitamente a "benção" de Jesus. E a maioria da população é carente, logo, deixam-se levar pela conversa da Igreja, seja qual for ela, católica, protestante, umbanda e essas outras. A tendência é aumentar o número de Igrejas, o número de clientes. Isso não vai acabar nunca. Tenho tudo contra a Igreja, porém respeito o estilo de vida de cada um. Durma tranquilo, agradecendo ou não a seu suposto Deus.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Nostalgia e sentidos


E mais uma vez me peguei pensando em coisas que não me fazem bem. A tal da nostalgia. Porém resolvi levar essa viagem um pouco além, antes de expulsá-la da minha cabeça. Digeri o pensamento porque minha mente abordou-o de forma diferente. Nunca havia pensado no quanto nossos sentidos nos remetem ao passado (claro que já recordei de muitas coisas ouvindo músicas, mas percebi que isso vai tão além...)

E por mais incrível que pareça, nossos sentidos, nessa ocasião parecem estar intimamente ligados, como uma fila de dominós posta em pé, ou como uma grande máquina fabril com todas suas peças interligadas. Semana passada mostrei um vídeo para o Luan que talvez tenha dado origem a essa pequena reflexão. Quem viveu sua pré-adolescência até 2000/01, talvez se lembre disso.

Assistindo esse vídeo, me utilizei dos olhos e ouvidos. Porém algo ativou minha memória olfativa e recordei-me até do perfume que eu usava para ir à escola e o cheiro do próprio uniforme! Isso foi incrível... montei uma lembrança perfeita, com sons, cores e perfumes.

E existem casos clássicos dessa interligação dos sentidos. Quem nunca sentiu o cheiro de algum tipo de comida e lembrou do sabor? E o que nos faz relembrar nossa infância ao pegarmos um bastão de massa de modelar se não a nossa memória sensorial? - e nesse caso, em particular, o paladar e o olfato se sobressaem.

Seria eu um bobo se acreditasse que o que acabei de escrever é novidade. Não é. Mas muita gente talvez ainda não tenha parado pra pensar nisso.

Talvez eu volte a escrever sobre saudades, é um tema muito interessante e vasto. Mas por hoje basta.

E pra quem viveu sua infância nos anos 90...

Abraços.

"Ócio do Ofício"

Já ouviste falar na expressão "ócio do ofício"? Não? Pois bem, essa expressão é usada, em um de seus significados, pra designar o ócio que um trabalho repetitivo gera em nossa mente. É a hora em que há um esvaziamento de nossas cabeças a ponto de nos fazer refletir profundamente, e com grande atenção, a assuntos que geralmente nem pensamos em nos preocupar.

Fato é que hoje, e vejam só, tomando um banho, gerei um ócio que me fez pensar sobre falta que esse ócio faz. E mais, sobre se ter um trabalho desses repetitivos, entediantes, forçados, é realmente algo ruim. A conclusão que cheguei é simples: Vivemos em tempos de uma evolução assustadora da tecnologia e de um estágio cada vez mais avançado da globalização, com meios de comunicação cada vez mais eficientes, com meios de alienação cada vez mais eficazes, com meios de controle populacional cada vez mais precisos; que qualquer momento de ócio nos faz ir longe. É como se de repente nos desligássemos de uma realidade e nos planássemos em outra. Mas o ócio do ofício não precisa necessariamente vir, e isso é importante, de um trabalho forçado, a contra-gosto. Podemos praticar exercícios físicos, por exemplo; podemos praticar natação!

Eu cito natação porque particularmente tenho um apego especial a esse esporte. A água da piscina isola nossos ouvios, literalmente submergimos a um outro plano, estamos só entre nós mesmos e a água. Depois de um tempo de experiência e prática com a natação, passamos a nadar por horas sem parar, e nem percebemos. Acontece que o exercício de nadar gera um ócio tão perfeito que o tempo, como diria Einstein, se torna mesmo relativo. Nadamos o nada, e o nada nos nada.

Mas por que não falo do Ócio do ócio? Bom, deveria parecer óbvio, mas não custa explicar. Não falo do ócio do ócio porque, justamente, esse ócio na sociedade conteporânea é quase uma Utopia, da mesma forma que genuínos Filósofos o são. Quem não tem ocupação, ganha. O número de pessoas hoje que se reserva um tempo pra refletir é quase nulo, se compararmos a proporção. É interessante fazer essa experiência: reserva-te um tempo pra refletir, verás que esse tempo não durará muito, e o tempo que durar, será ocupado por pensamentos que não serão genuinamente reflexões descompromissadas com a realidade objetiva. Mas o que é realidade objetiva e subjetiva? É, terei que deixar isso prum próximo post.

Portanto, caros leitores, pratiquem o ócio do ofício, é o que vos resta se não quiserdes de repente esquecer da vossa existência e afogar-vos no frenético mar da indiferença.

Well, well, well...

Aqui estamos nós.... mais uma madrugada!
Pense bem, o que pode ser mais agradável que uma bela madrugada, seja ela da segunda, da quarta ou do sábado?? A madrugada é perfeita.... possui a temperatura ideal, aquele silêncio inspirador, aquele filme super bacana, as pessoas perfeitas on line, as conversas mais loucas, as discussões mais interessantes...a bebida mais saborosa, a saudade mais verdadeira e a dor mais intensa.
E nós estamos aqui, unidos mais uma vez \o/ ...pela bela e inspiradora MADRUGADA!
Vai dar pé?!...não sei, mas garanto que vai ser uma bela experiência.

Here we go!!

sábado, 26 de janeiro de 2008

O começo

Em uma das intermináveis aulas de Teoria Literária, descobri por indução que o tempo da narrativa varia muito. Nem sempre o começo é começo – embora sempre haja começo, mesmo começando do fim – ou não (como diria Caetano.) Fato é, que começar algo, nem sempre é fácil: lembra da dieta da próxima segunda? Pois é. Exige-se muito do primeiro passo, por ele ter que ser dado com o pé direito, para os supersticiosos; por ele ter que ser deveras cauteloso, para o prudente e por ele ser experimental, para a criança que prepara-se para levantar.
Começar: verbo transitivo direto e indireto, do latim cominitiare: dar princípio à, iniciar. Parte de um ciclo, das voltas do mundo, das rodas da modernidade. Em tudo há começo e nada pode acabar sem ter começado. Temos uma certa adoração, que vai além de mística, pelo começo. "Ano novo, vida nova". Promessas, realizações, sorte... Como se o começo nos desse uma nova chance de vida. Começar, sendo difícil, pelo novo, é fácil pela permissão para refazer. E refazer, sendo fácil por ser de novo, é difícil pelo começo. Complicado, não?
Enfim... Se no começo era o verbo, que venham as interjeições e os adjetivos!
Fiat Lux.

\o/

Todas as formas de boas vindas para todas as mentes mais incríveis de várias madrugadas cheias de pensamentos.

Esteja bem vestido, de óculos, maquiagem e bem sóbrio, pois o conhecimento só é válido quando é bastante absorvido.
Então amigos e amigas, não me responsabilizo por danos mentais.





Então... Demos mais um passo sim. Se pessoas como: Fani, ex-BBB, tem blogs, por que nós não podemos?


Tim tim!

Madrugada

"Madrugada é o período do dia que vai da meia-noite ao amanhecer (normalmente arredondado para seis horas da manhã.

De fato, a madrugada é uma extensão da noite, na qual se dá o repouso noturno da maioria das pessoas e há a obrigação de se guardar silêncio. Parece contraditório, mas a saudação feita a alguém que se encontre nesse período é bom dia, ainda que o sol não tenha nascido)."

(wikipédia)


... e em nenhuma hora o dia é tão romântico e perfeito quanto aquela em que ele está ausente.


Isso merece um brinde e
uma canção.

Bem vindos, amigos.

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